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O que os pais precisam mesmo de saber sobre PHDA?

há 3 dias
3 min de leitura

PHDA — Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Um nome complexo para uma perturbação do neurodesenvolvimento que pode ter um impacto significativo no dia a dia das crianças e das suas famílias e que afeta, em Portugal, cerca de 5 a 10% das crianças em idade escolar.


Mas, afinal, o que significa ter PHDA?


Antes de mais, é importante compreender que a PHDA pode manifestar-se através de diferentes conjuntos de sintomas: o défice de atenção, a hiperatividade e a impulsividade. Algumas crianças apresentam sobretudo dificuldades de atenção, enquanto outras demonstram maior inquietação e impulsividade. Existe ainda o tipo misto, no qual estão presentes sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade.


O Défice de atenção consiste na dificuldade em manter o foco, uma maior tendência para se distrair, dificuldades na organização de tarefas e esquecimentos bastantes frequentes. A Hiperatividade, marcada por uma inquietação motora constante. A Impulsividade, é visível através da dificuldade em esperar pela vez, uma tendência em interromper os outros e agir sem pensar nas consequências.

É importante perceber que estes comportamentos não são simplesmente uma questão de falta de educação, preguiça ou falta de vontade. A PHDA está relacionada com diferenças no desenvolvimento e funcionamento de áreas cerebrais envolvidas na atenção, autorregulação e funções executivas devido a disfunções na regulação de substâncias químicas. Assim, conseguimos entender que essas dificuldades não são culpa da criança o que pode melhorar as relações e reduzir conflitos. Por isso, dizer a uma criança para se concentrar ou pensar antes de agir nem sempre é suficiente.


Isto não significa que a criança não tenha responsabilidade pelos seus comportamentos. Significa, sim, que pode precisar de mais apoio, competências e estratégias de autorregulação para conseguir fazer aquilo que lhe é pedido.

Uma forma simples de compreender esta dificuldade é pensar que algumas crianças têm maior dificuldade em “travar” uma resposta, mudar o foco de atenção ou esperar antes de agir. Não é falta de vontade, é uma dificuldade de autorregulação que precisa de ser trabalhada.


É importante lembrar que nem todas as crianças com PHDA são iguais. Algumas podem apresentar maior dificuldade em lidar com a frustração, esperar, controlar a impulsividade ou aceitar um “não”. Outras podem parecer muito distraídas, esquecidas ou desorganizadas.

Quando estas dificuldades se repetem, é fácil surgirem conflitos em casa, contudo, por detrás destes comportamentos existe uma criança que também está a ter dificuldades.

Depois de se conhecer um pouco melhor a PHDA importa também saber de que formas é que como pais podem ajudar os seus filhos nesta caminhada.

Em primeiro lugar, é importante que os pais funcionem como uma equipa, ou seja, as discordâncias entre os pais ou as reações a certas atitudes dos filhos devem ser discutidas em privado.


Em segundo lugar, para fornecer ao filho um sentimento de segurança é necessário entender que a autoridade tem de ser exercida de forma constante, coerente e proporcional à situação, sendo importante a criança conhecer bem quais as regras e os limites.

É necessário ter em conta que a educação vem do exemplo, os filhos moldam os seus comportamentos através dos comportamentos dos pais. O estado emocional dos pais também tem uma ligação à reação de um comportamento do filho, por vezes, quando os pais estão mais cansados e com mais trabalho, que nada tem a ver com a criança têm de tentar fazer essa divisão e evitar situações de conflito.

Crianças com PHDA necessitam de recompensas para as suas tarefas, para sentirem que têm um estímulo e o elogio é a recompensa mais forte. É importante elogiar todas as conquistas.


Por fim, é importante lembrar que a PHDA não deve ocupar todo o espaço da relação entre pais e filhos. A criança não deve sentir que só recebe atenção quando faz algo errado. Brincar, conversar, rir, fazer atividades em conjunto e demonstrar afeto são igualmente importantes. A relação não pode ser construída apenas à volta de regras, tarefas e correções.

Ter PHDA não define uma criança. Uma criança com PHDA pode ser criativa, curiosa, espontânea, carinhosa, determinada, divertida e ter muitas competências. As dificuldades existem, mas não são a totalidade da criança.


O objetivo não é transformar uma criança com PHDA numa criança “perfeita” ou fazer com que deixe de ser quem é. É ajudá-la a compreender o seu funcionamento, desenvolver estratégias de autorregulação e encontrar formas de utilizar as suas capacidades. Porque uma criança com PHDA não precisa apenas que lhe digam para estar quieta, prestar atenção ou pensar antes de agir. Precisa de adultos que compreendam as suas dificuldades, definam limites claros, reconheçam os seus progressos e a ajudem, passo a passo, a aprender aquilo que ainda está a desenvolver. Escrito por: Psicóloga Leonor Querido Cédula Profissional nº: 31621

 
 
 

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